segunda-feira, 21 de junho de 2010

Frases sobre futebol em tempos de Copa



"Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos..."
(Nelson Rodrigues)

"Futebol é muito simples: quem tem a bola ataca; quem não tem defende."
(Neném Prancha)

"O futebol é o ópio do povo e o narcotráfico da mídia."
(Millôr Fernandes)

"Futebol:esporte insano jogado por uns tipos semelhantes a escravos e gladiadores, apreciado por hordas de fanáticos ensandecidos e organizado por maltas de espertalhões."
(Rogério Silvério de Farias)

sábado, 19 de junho de 2010

Nada faz sentido... Mas, com um pouco de hipocrisia, dá para ser feliz mesmo assim.

“O mundo beira o nonsense e ainda não nos habituamos a isso.”
“A ida à Lua reuniu muitos absurdos-chave de nossa era, como a supremacia da imagem sobre o conteúdo, os meios transformados em fins e os detalhes sendo mais importantes que os valores absolutos. É incrível que os homens tenham pisado na Lua com o único objetivo de provar que isso era possível...”
“A autoestima é um conceito perigoso. É recente a crença de que a falta dela é a raiz de todo o mal, especialmente males sociais como a violência, delinquência e fracassos escolares. Autoestima, hoje, é algo assim: você diz a si mesmo que é maravilhoso – e essa é a parte mais difícil e mais imbecil, já que ninguém é especial – e depois espera que todo mundo acredite nisso. Obviamente, ninguém acredita e aí ficamos muito bravos. O mais importante não é acordar seu “gigante interior”, mas seu “anãozinho interior”, aquela pessoa real que é esquisita, irritada, chata e difícil de conviver. Só que é extremamente difícil nos enxergarmos como realmente somos. E foi essa dificuldade que nos levou a essa sociedade absurda.”
“Queremos viver para sempre no momento em que as coisas ainda são loucamente divertidas, seja nos relacionamentos, no trabalho ou em qualquer outro aspecto. Assim, não enfrentamos os problemas cotidianos.”
“Não existem respostas simples. A vida não é uma lista de prescrições. É necessário reconhecer que fomos amaldiçoados com o nonsense – a satisfação não está em objetivos como uma viagem maravilhosa à Índia ou em ter o carro do ano. A procura por qualquer propósito nos dias de hoje é inútil: a própria busca de um objetivo já é o sentido – temos que nos conformar com esse caminho. É esse o absurdo. O absurdo é o novo sublime, o sentido que antes era dado pelas religiões ou pelos grandes ideais. Agora, o objetivo é continuar procurando alguma coisa, mesmo sabendo que não iremos encontrar nada.”
“O jeito mais tranquilo é seguir a sociedade do jeito que é: o trabalho virou o grande objetivo da nossa existência e a juventude eterna promete trazer todas as alegrias terrestres a quem alcançá-la. Podemos conviver com esses absurdos, mas não precisamos acreditar neles. A solução, basicamente, é ser hipócrita.”
Frases do irlandês Michael Foley, autor do livro The Age of Absurdity (abaixo), extraidas de uma entrevista publicada na revista GALILEU, nº 227, junho/2010, editora Globo.


domingo, 6 de junho de 2010

O Quereres

Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão

Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói

Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock’n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim

(Caetano Veloso)