"Não digo uma palavra; não posso. Perdi a capacidade. Já não importa. Não faria diferença alguma. Não mais. Mesmo que eu suplicasse, mesmo que eu dissesse o que deveria ter dito, as palavras cairiam no chão, gotas de suor perdidas, inúteis, desnecessárias, como as de um morto que sua mas já não vive. Não vive. E eu, morto, não sei por que permaneço, por que ainda vivo."
"Um idiota, é isso que sempre fui! Sinto um aperto no coração. Preciso continuar escrevendo para apagar as macabras reminiscências que vislumbro diante de mim."
" O sorriso de cada um, em especial, denunciava essa entrega ao novo. O moço talvez se encantasse com a fragilidade do homem mais velho, expressa em sua face geralmente angustiada e séria, denunciada por traços soturnos a olhos mais atentos e próximos. O sorriso do homem mais velho apontava para um medo discreto, resultado de alguém que, desperto de um sono profundo, dava-se conta de que a vida é limitada e de que o tempo passa, sem volta..."
"Aprendi que o desespero só aparece quando a gente se sente sem um amanhã."
"Amar, por certo, conduz ao fim, cujo som ao longe se escutava... Ruídos e uma falta de sentido, como se demônios e anjos sorrissem, e eu, embalado, deixando-me ir."
"O tempo certo não existe. Há uma janela que se abre e se fecha. Não há como prever esse momento. Tampouco há esperança de que ele venha a repetir-se. A janela é aberta e fechada pelo vento. Gozar do vento e dos perfumes que ele traz é o máximo permitido. As pessoas têm medo de descobrir isso."
"O tempo achegava-se, mais e mais, para os pêndulos lentos, em que a vida se satisfaz com o movimento empoeirado e os sons abafados."
"O amor tem dessas qualidades; ele permite o domínio."
"Fecho meus olhos e ainda penso, sorrindo, imperceptivelmente, no que disso tudo extraí e hoje sei: se há uma possibilidade humana tola e abjeta, essa é o amor."
