“O mundo beira o nonsense e ainda não nos habituamos a isso.”
“A ida à Lua reuniu muitos absurdos-chave de nossa era, como a supremacia da imagem sobre o conteúdo, os meios transformados em fins e os detalhes sendo mais importantes que os valores absolutos. É incrível que os homens tenham pisado na Lua com o único objetivo de provar que isso era possível...”
“A autoestima é um conceito perigoso. É recente a crença de que a falta dela é a raiz de todo o mal, especialmente males sociais como a violência, delinquência e fracassos escolares. Autoestima, hoje, é algo assim: você diz a si mesmo que é maravilhoso – e essa é a parte mais difícil e mais imbecil, já que ninguém é especial – e depois espera que todo mundo acredite nisso. Obviamente, ninguém acredita e aí ficamos muito bravos. O mais importante não é acordar seu “gigante interior”, mas seu “anãozinho interior”, aquela pessoa real que é esquisita, irritada, chata e difícil de conviver. Só que é extremamente difícil nos enxergarmos como realmente somos. E foi essa dificuldade que nos levou a essa sociedade absurda.”
“Queremos viver para sempre no momento em que as coisas ainda são loucamente divertidas, seja nos relacionamentos, no trabalho ou em qualquer outro aspecto. Assim, não enfrentamos os problemas cotidianos.”
“Não existem respostas simples. A vida não é uma lista de prescrições. É necessário reconhecer que fomos amaldiçoados com o nonsense – a satisfação não está em objetivos como uma viagem maravilhosa à Índia ou em ter o carro do ano. A procura por qualquer propósito nos dias de hoje é inútil: a própria busca de um objetivo já é o sentido – temos que nos conformar com esse caminho. É esse o absurdo. O absurdo é o novo sublime, o sentido que antes era dado pelas religiões ou pelos grandes ideais. Agora, o objetivo é continuar procurando alguma coisa, mesmo sabendo que não iremos encontrar nada.”
“O jeito mais tranquilo é seguir a sociedade do jeito que é: o trabalho virou o grande objetivo da nossa existência e a juventude eterna promete trazer todas as alegrias terrestres a quem alcançá-la. Podemos conviver com esses absurdos, mas não precisamos acreditar neles. A solução, basicamente, é ser hipócrita.”
Frases do irlandês Michael Foley, autor do livro The Age of Absurdity (abaixo), extraidas de uma entrevista publicada na revista GALILEU, nº 227, junho/2010, editora Globo. 