quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Abertura de Os Intocáveis

Em alguma praia em Natal/RN

Joao Gilberto - Estate



Estate

Estate sei calda come i baci che ho perduto
Sei piena di un amore che è passato
Che il cuore mio vorrebbe cancellare
Estate il sole che ogni giorno ci scaldava
Che splendidi tramonti dipingeva
Adesso brucia solo con furore
Tornerà un altro inverno
Cadranno mille petali di rose
La neve coprirà tutte le cose
E forse un po' di pace tornerà
Estate che hai dato il tuo profumo ad ogni fiore
L'estate che ha creato il nostro amore
Per farmi poi, morire di dolore.
(B. Marinho / B. Brighetti) 





Clarice Lispector

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Frase para retorno de viagem (saudades de Natal)

"Conhecemos melhor nosso país quando viajamos. Conseguimos enxergar as distorções que o patriotismo produz."

(Mario Vargas Llosa)

domingo, 17 de outubro de 2010

Saxofone

 

Repousa entre as tuas pernas desnudas e trémulas,
Um saxofone sufocado,
Por notas que resvalam,
E submergem o meu sorriso.

No libertar da ultima bolha de ar,
Emana o suspiro sereno,
Que embacia e congela as tuas retinas,
Estilhaçadas num lençol de melodias fúnebres.

Porque já não consigo chorar nem sorrir,
Porque na luz e nas sombras,
Sinto a tua falta.

Minha língua coloca na palma da tua mão,
A semente que germinará,
Quando os teus temores mergulharem,
Na minha saliva.

Vê!

É o lacrimejar abafado da nostalgia,
Não se houve a voz,
Apenas o soluçar que ecoa no teu vazio.

Sente as vibrações serpenteando por debaixo do teu vestido branco,
Até repousarem no teu ventre,
Matriz de todas as notas, que fazem da tua pele,
Partitura afogada em teu corpo,
Reservatório da minha clave de sol o teu âmago.


Copyright © 2007 – Artur Queirós



terça-feira, 12 de outubro de 2010

Amor digital, por Marcia Tiburi, in Revista Cult nº 150



Amor digital

Marcia Tiburi discute o amor digital: da teologia-política do corpo à tecnologia-política do afeto
Publicado em 09 de setembro de 2010


Marcia Tiburi
A história da teoria e da prática do amor está intimamente ligada a uma conceituação do corpo. O que entendemos por corpo está, por sua vez, condicionado às teorias e práticas da ciência e da tecnologia. O amor platônico é das épocas dualistas em que corpo e alma se opõem. O amor romântico é o do tempo da crença na procriação e no casamento e, por isso, é amor regulador do corpo das mulheres. O amor livre dos anos 1960 e 70 do século XX resulta de uma compreensão do corpo como experiência do prazer e de uma liberdade possível. Assim é que cabe avaliar o estatuto do que chamamos de amor em uma era digital.
Não é possível não falar desse afeto essencialmente corporal quando suas novas formas revisitam os modelos mais antigos e as mesmas questões teológicas que fizeram sua história mostram-se inultrapassáveis. Como sempre tivemos medo do corpo, natural que tenhamos também medo do amor que dele provém, no sentido mais primitivo de sua experiência. Aprendemos o amor como o aconchego máximo no corpo do qual nascemos. Podemos dizer que o amor é o modo de ser de nossos corpos mamíferos que sobrevivem no calor. Normal que uma cultura da produtividade e da competição desenvolva o horror ao corpo, já que abandonar-se a ele seria abandonar-se a Eros.
Eis a hipótese básica da teoria freudiana que contrapõe Eros e civilização. Assim é que, de aconchego e prazer do corpo, o amor tenha sido sublimado em linguagem e, em sua forma mais antiga, a do mito com o qual ainda não perdemos o contato. Embora o amor tenha vários significados, ontem como hoje ainda vemos o amor como um deus – o que os gregos chamaram Eros e os latinos chamaram Cupido. Passamos a entender isso que os gregos chamaram Eros como o próprio amor romântico. O afeto – ideia e prática – que um amante dedica a outro é necessariamente mediado pela imagem de um deus que nada mais é do que um agente mediador de uma relação. Assim, o mito de Eros expõe um jogo sagrado: flechando o desavisado, Eros o condena ao pathos, ao afeto que ultrapassa sua capacidade de autocomando pela razão.
Meios para chegar a fins Absorvidos nessa experiência, aqueles que falam “do amor” pronunciam-se sempre segundo uma perspectiva hipostática, como que falando de uma substância sobrenatural e não de uma invenção cultural articulada em discurso e, como tal, fala pronta que pode ser repetida ad nauseam. Posto como verdade ancestral que suspende a questão do poder e da política própria a qualquer discurso, a compreensão romântica do amor é uma redução que favorece uma sublimação do corpo. É o corpo, o grande abismo, que os discursos do amor se especializaram em evitar. Mas, se antes o discurso vinha da Igreja e do Estado, instituições que detinham a máquina ideológica, hoje ele provém de democráticas mediações virtuais que naturalizam o artificial. Quem precisaria da flecha do Cupido quando tem a internet por perto?
O amor é histórico. Muda conforme mudam os meios pelos quais se estabelece uma relação com o corpo do outro. A forma de relação a que chamamos amor sempre foi mediação em relação ao abismo que é o corpo do outro. Essa mediação foi ideológica, poética, religiosa, científica, estética, política e filosófica. Atravessado por teorias, o amor foi também fruto dos media, dos meios de comunicação que, historicamente, permitiram que seres humanos se relacionassem uns com os outros. O amor romântico começa com a poesia, segue por séculos com a troca de cartas, chega à literatura pelo romance, expande-se contemporaneamente por meio de chats, plataformas virtuais e redes sociais em geral.
Os meios sustentam discursos e, assim, abonam a existência do corpo manifestando que a história do amor é a da morte da libido pelo triunfo do discurso. O amor é, entre nós, basicamente o desejo pelo corpo do outro, mas esse desejo pode prescindir do corpo como se pode perceber na ideologia do amor platônico – como amor idealizado – que avança no romantismo como culto a uma mulher idealizada, intangível, doente ou até morta. A versão contemporânea do amor digital, este amor que se estabelece como uma relação de linguagem possibilitada pela vida dos dedos sobre as teclas, impõe-nos pensar a máximarealização do discurso e da idealização. A era digital vem confirmar que não é apenas o corpo que lançamos no abismo, mas que podemos, na verdade, nos livrar de todo abismo pelo discurso.
O amor tornou-se facilmente uma forma de discurso que determina relações corporais como institucionais. Seja o da Igreja afirmando que o que Deus une o homem não separa, que teologiza a instituição do casamento, sejam as memórias do conquistador Giacomo Casanova, que pelo menos rendeu boa literatura, seja a conversa do conquistador que antes da revolução sexual usa sua “lábia” como único modo de acesso ao sexo com uma mulher antes que os rituais institucionais legalizassem a questão. O amor digital não precisa da passagem ao corpo, pois o que ele garante é um completo conforto distante do corpo pela substituição da libido. Enquanto falo, não faço, e, assim, economizo tempo, o risco de doenças, o sofrimento como um risco emocional. Garanto, assim, a sustentação da economia política dos afetos.
Questão semiótica O amor é basicamente ligação. É aquilo que liga nosso corpo à nossa linguagem. Como questão corporal e como prática discursiva, o amor é também um problema semiótico sempre dito por meio de signos que o sustentam. A esse propósito é interessante lembrar que o signo mais importante da história do amor, a saber, o coração, perdeu seu estatuto. Por meio dele podemos compreender a crise do afeto mais desejado da história humana. Crise que se deve ao fato de que a sociedade, seguindo a medicina moderna, creditou ao coração a posição de órgão da vida e da morte por muito tempo. Desde que o coração deixou de ser o órgão da vida, o que aconteceu quando uma comissão de médicos de Harvard propôs o conceito de morte cerebral, no fim dos anos 1960, a semiótica cotidiana e poética do amor está prejudicada, afinal, continuar usando o coração para falar das tais razões desconhecidas perdeu o sentido. Essas razões são descartadas na nova ordem do amor digital.
Sem o coração o amor entra na era cerebral. As desvantagens das razões do coração aumentam com o avanço das ciências do cérebro que, em algum momento, farão um mapeamento do amor. A complexa questão do cérebro, no entanto, serve aqui apenas para lembrar que ela combina bem com os novos tempos do amor digital, posto que o cérebro é órgão análogo ao computador. Se o amor é afeto que nasce de nossas necessidades corporais, se ele é memória do aconchego, o amor em tempos digitais vem apenas mostrar quão distantes estamos de nossos corpos desde que nos bastamo nos meios pelos quais podemos praticar um amor sem corpo.
A era digital impõe pensar teorias que orientam práticas, sobretudo, que uma teologia-política do amor se transformou em tecnologia-política. Prática digital de nosso tempo, o discurso amoroso sempre se valeu da impossibilidade do amor alcançada pela idealização. A mais nova versão do amor para além do corpo é esse amor digital que, sem corpo, e pela ponta dos dedos, vem digitalizar a experiência corporal mostrando-nos que, neste mundo secularizado permanecendo na mediação, estamos no ápice da teologia. Amor digital é a vida da relação em que, jogando fora o corpo, mantemos apenas o que nos liga a ele sem que, paradoxalmente, ele esteja entre nós. Eis que o “desejo do corpo” tornou-se um “desejo dos dedos” medido em caracteres. Cada teclada vale como uma flechinha lançada a fundo perdido no deserto onde o desejo sem ter o que alcançar não sobreviverá sozinho.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Notas Sexuais


minha partitura favorita

José Saramago

Manchete do jornal "Diário de Natal" de sábado 19 de junho de 2010.

“O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever.” falando sobre seu avô quando recebeu o Prêmio Nobel de Literatura "Sempre chega a hora em que descobrimos que sabíamos muito mais do que antes julgávamos."
"Há situações na vida em que já tanto nos dá perder por dez como perder por cem, o que queremos é conhecer rapidamente a última soma do desastre, para depois, se tal for possível não voltarmos a pensar mais no assunto."
“A única condição para a vida existir é a morte.”
“Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa somos nós.”
“Tentei não fazer nada na vida que envergonhasse a criança que fui.”
“Mesmo que a rota da minha vida me conduza a uma estrela, nem por isso fui dispensado de percorrer os caminhos do mundo.”
“Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia.”
“No fundo, não invento nada. Sou apenas alguém que se limita a levantar uma pedra e pôr à vista o que está por baixo. Não é minha culpa se, de vez em quando, me saem monstros.”
“Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é só um dia mais.”
“Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias não vamos a parte nenhuma.”

A evolução da bebida em nossas vidas.

Pois é...

"Despertador é bom para a gente se virar para o outro lado e dormir de novo." (Mário Quintana)

"Na realidade, basta um drinque para me deixar mal. Mas nunca sei se é o 13º ou o 14º." (George Burns)

"As lágrimas represadas são a peçonha mortal do coração." (Camilo Castelo Branco)

"Às vezes creio que há vida em outros planetas, e às vezes creio que não. Em qualquer um dos dois casos a conclusão é assombrosa." (Carl Sagan)

"A gente não se liberta de um hábito atirando-o pela janela: é preciso fazê-lo descer a escada, degrau por degrau." (Mark Twain)

Sexo casual?

O Sonho

Frases e Citações

"Pensar é fundamentalmente culposo." (Heiner Muller)

"A criatividade consiste em descobrir o desconhecido." (Jerzi Grotowski)

"Não penso na idade, ela cuida de si." (Tatiana Belinky)

"Leva-se muito tempo para ser jovem." (Picasso)

"Pratique a morte; você vai ter que experimentá-la um dia." (Platão)

"Os grandes homens têm a terra inteira como tumba." (Tucídides)

"Quando você é mais jovem as pessoas o culpam por crimes que você nunca cometeu. Quando é mais velho, começam a lhe atribuir virtudes que você jamais possuiu. No fim o score se nivela." (I. F. Stone)

"Certamente você tem que pagar algum preço por tudo o que ama." (Agatha Christie)

"Quando nada é certo tudo é possivel." (Margaret Drabble)

"Não se deve esperar do raio uma claridade que permita a contemplação." (Roger Caillois)

"O cara sóbrio que, dia após dia, escova os dentes, vai ao banheiro, dirige seu carro, esse cara só tem uma vida, entende? Mas o homem que bebe tem duas. E é durante essa segunda vida que faço meu trabalho de escritor." (Charles Bukowski)

"O único progresso verdadeiro é o progresso moral. O resto é simplesmente ter mais ou menos bens." (José Saramago)

"Quando a gente pensa que sabe todas as respostas vem a vida e muda todas as perguntas." (desconhecido)

Citações e Frases

"Anatomia é destino."(Freud)

"O melhor ornamento da verdade é a nudez." (Thomas Fuller)

"A juventude é dada. Deve-se guardá-la como uma boneca no armário e brincar com ela só nos feriados." (May Swenson)

"Tenho certos tipos de pesadelos. Acho que o mais comum, o mais frequente, é o pesadelo do labirinto." (Jorge Luis Borges)

"A matemática possui não apenas verdade, mas suprema beleza - uma beleza fria e austera, como a escultura." (Bertrand Russell)

"O silêncio eterno desses espaços infinitos me apavora." (Blaise Pascal)

"Só há pouco descobri que meu grande problema é um desejo intenso de retornar ao útero. Qualquer útero." (Woody Allen)

"Os trilhos do destino cruzando entre nós. Pela vida, trazendo o novo." (Herbert Vianna)

"Não desejo copiar a natureza. O que mais me interessa é estar ao lado dela." (Georges Braque)

"(...) a necessidade absoluta de se sentir desejado e o fato de que, nesse círculo do desejo, é muito raro que dois desejos se encontrem e se correspondam. Essa é uma das maiores tragédias do ser humano." (Pedro Almodóvar)

"Teatro não é feito para brincar de masturbação intelectual. O teatro tem de se comunicar com o público." (Barbara Heliodora)

"Carnaval, esperança, que gente triste possa entrar na dança, que gente grande saiba ser criança, que gente longe viva na lembrança." (Chico Buarque)

"A única maneira de conservar a saúde é comer o que não se quer, beber o que não se gosta e fazer aquilo que se preferia não fazer." (Mark Twain)

"A mulher será sempre o perigo de todos os paraísos." (Paul Claudel)

Algumas máximas

"Comparado ao que poderíamos ser, ainda estamos meio acordados."(William James)

"Quero ser um jazz-poeta, improvisando um longo blues em uma 'jam session', numa tarde de domingo."(Jack Kerouac)

"O amor é o desejo de encontrar a unidade perdida." (Aristófanes)

"Venho tentando há algum tempo desenvolver um estilo de vida que não requeira minha presença."(Gary Trudeau)

"Quem não é sempre fica no que foi, enquanto quem é sempre muda para o que será."(José Ernesto Bologna)

"Não pense em se aposentar do mundo antes que o mundo lamente sua aposentadoria."(Samuel Johnson)

"Deixem dormir o futuro como merece. Se o acordarem antes do tempo, teremos um presente sonolento.(Franz Kafka)

"O que me parece belo, o que eu gostaria de fazer, é um livro sobre nada (...) em que o tema fosse quase invisível."(Gustave Flaubert)

"A verdade é doce e amarga. Quando é doce, perdoa; quando é amarga, cura."(Santo Agostinho)

"O que se tornou perfeito, inteiramente maduro, quer morrer."(Nietzsche)

"Filosofia é o estudo da melhor maneira de aceitar o fim."(Montaigne)

"As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os seus problemas quando, na realidade, o amor é a recompensa por você ter resolvido seus problemas."(Norman Mailer)

"O sexo é uma selva de epiléticos."(Nelson Rodrigues)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Ângela Rô Rô - "Demais" (TV Manchete, 1984)

Todos acham que eu falo demais
E que eu ando bebendo demais
Que essa vida agitada não serve pra nada
Andar por aí bar em bar, bar em bar

Dizem até que ando rindo demais
E que conto anedotas demais
Que eu não largo o cigarro e dirijo o meu carro
Correndo, chegando, no mesmo lugar

Ninguém sabe é que isso acontece porque
Vou passar toda a vida esquecendo você
E a razão porque vivo esses dias banais
É porque ando triste, ando triste demais

E é por isso que eu falo demais
É por isso que eu bebo demais
E a razão porque vivo essa vida agitada demais
É porque meu amor por você é imenso
O meu amor por você é tão grande
(É porque) Meu amor por você é enorme demais

(Composição: Tom Jobim - Aloisio de Oliveira)

Eurochannel - L'Europe comme vous l'aimez

sexta-feira, 1 de outubro de 2010