quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Desencanto

Eu faço versos como quem chora
de desalento...
de desencanto...
fecha o meu livro, se por agora
não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. volúpia ardente.
tristeza esparsa...
remorso vão...
dói-me nas veias. amargo e quente,
cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia ronca,
assim dos lábios a vida corre.
deixando um acre sabor na boca.
eu faço versos como quem morre.

(Manuel Bandeira)