quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Como uma estrela...


Agora o braço não é mais o braço erguido num grito de gol.

Agora o braço é uma linha, um traço, um rastro espelhado e brilhante.

E todas as figuras são assim: desenhos de luz, agrupamentos de pontos,

de partículas, um quadro de impulsos, um processamento de sinais.

E assim - dizem - recontam a vida.

Agora retiram de mim a cobertura de carne, escorrem todo o sangue,

afinam os ossos em fios luminosos - e aí estou, pelo salão, pelas casas,

pelas cidades, parecida comigo.

Um rascunho.

Uma forma nebulosa, feita de luz e sombra.

Como uma estrela.

Agora eu sou uma estrela.