domingo, 17 de outubro de 2010

Saxofone

 

Repousa entre as tuas pernas desnudas e trémulas,
Um saxofone sufocado,
Por notas que resvalam,
E submergem o meu sorriso.

No libertar da ultima bolha de ar,
Emana o suspiro sereno,
Que embacia e congela as tuas retinas,
Estilhaçadas num lençol de melodias fúnebres.

Porque já não consigo chorar nem sorrir,
Porque na luz e nas sombras,
Sinto a tua falta.

Minha língua coloca na palma da tua mão,
A semente que germinará,
Quando os teus temores mergulharem,
Na minha saliva.

Vê!

É o lacrimejar abafado da nostalgia,
Não se houve a voz,
Apenas o soluçar que ecoa no teu vazio.

Sente as vibrações serpenteando por debaixo do teu vestido branco,
Até repousarem no teu ventre,
Matriz de todas as notas, que fazem da tua pele,
Partitura afogada em teu corpo,
Reservatório da minha clave de sol o teu âmago.


Copyright © 2007 – Artur Queirós